Juventude Transviada

Posted: sábado, 14 de agosto de 2010 by Marcelo Augusto in
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Há muito tempo se questiona até onde a linguagem do cinema se envolve com a sociologia. Tendo isso em vista, existem diversas maneiras de se abordar esse questionamento, contudo, essa análise se propõe a trazer como referência a obra Juventude Transviada, do diretor Nicholas Ray, para evidenciar essa relação complexa entre os estudos sociológicos e a sétima arte.A obra, de 1955, nos permite fazer inferências com seu contexto, e tendo isso como norte, podemos destoar aspectos interessantes de análises.



Abordando o contexto americano desse período, encontramos um período pós-guerra embasado em um complexo sistema de restruturação interna dos comportamentos dos cidadãos americanos, em âmbitos como a moral e o consumismo. O governo americano estimulava, ideologicamente, que a sua população retornasse aos valores estruturados na época antes das guerras, e que a moralidade dos anos 30 vigorasse. Nesse tocante, o modelo de economia dos EUA, o capitalismo, buscava encontrar pilares capazes de promover suas demandas, e com isso, deu inicio aos estímulos consumistas da sociedade, procurando imprimir em cada cidadão a sensação de auto satisfação no ato de fazer compras. Indústrias de beleza, como de roupas e outros artefatos, como a musica e o próprio cinema sofreram essa influência, servindo-se como veículo de consumo também.


Contudo, em meio a esse cenário, um certo anacronismo se formava: a sua juventude não absorvia essa necessidade moralística, e seus valores, permeados pelos impactos da guerra, os direcionavam a ir de encontro com o que era estabelecido. Subtende-se daí, o termo impacto de gerações , que se firmava nesse contexto de comportamento.Os jovens dos anos 50 vinham de outra formação, a sua maioria sem referência paterna, e inclusive, sem os padrões vigentes de comportamento do início do século. Essa juventude transviada, devido aos fins das guerras, era forçada, constantemente, a retornar aos valores que não eram seus próprios, e simultaneamente, viviam em um contexto diferente do que seus pais viveram enquanto jovens: o ambiente da socialização entre adolescentes, da socialização entre amigos, do fortalecimento dos estereótipos formados nas escolas, o bullyng, o da necessidade de consumo, de demonstração de poder aquisitivo. Falar disso exige, claramente, que se ressalte a evolução dos mecanismos de comunicação da época, e de como a juventude, antes não coesa, se integrava e formava seus próprios nichos.



Nesse contexto, a juventude passava a se sentir desajustada de sua realidade e se sentia coibida e coagida, procurando, de certa forma, ir de encontro com isso e se rebelar aos modelos exigidos. Exemplificando, temos o surgimento de vários movimentos não só políticos, mas inclusive comportamentais, como a Primavera de Praga, o surgimento do punk, dos hippies, e por que não citar, o surgimento do rock 'n roll. Surge daí ícones que representavam essa sociedade juvenil carente de atenção, que buscava em suas expressões, a sua afirmação. Elvis Presley se firma nesse ambiente e elaborando uma analogia, temos a figura de James Dean como seu correspondente no Cinema. Com isso esclarecido, procuramos fazer um resgate a diversos aspectos do filme Juventude Transviada que possam inferir aspectos dessa realidade esplanada.


Nicholas Ray, como uma vez informou, procurou, em Juventude Transviada, se comunicar com essa juventude desajustada, julgada como rebelde sem causa. Jim Stark, personagem central do filme, vivido por James Dean ( que era exatamente igual ao seu personagem ), representava, de forma simbólica, essa juventude, que buscava se auto satisfazer momentaneamente e com isso, buscava se autoafirmar e se localizar no seu tempo com sua concepção.


Vemos nesse traço; uma forma de abordar esse grupo juvenil como um grupo delicado, mais complexo e por isso, paradoxal. O seu paradoxo reside, demonstrado no filme, nessa necessidade do jovem de 1955 afrontar seus pais com o seu fraco moralismo, e contudo, em primeiro momento, buscar ser compreendido por eles. Dessa forma, Jim busca apoio de seus pais para viver de acordo com seus princípios, mas vivia em eterno desacordo com eles, que por outro viés, buscavam demonstrar o status de família típica dos ano 30: estruturada, com o filho comportado e doutrinado pacificamente pelo seus pais.


Abordando o filme, em sua temática, pergunta-se: qual é a maior semelhança entre os três personagens centrais da trama? A resposta é: o desajuste. Tanto Plato, como Judy e Jim possuíam problemas com seus pais, em seus diversos pólos: enquanto Jim sofria com a passividade e o medo dos seus pais de tê-lo como perigo ao seus status de família,Plato representava a figura desprotegida pelos pais que vivia por remessas de dinheiro, aos cuidados de sua empregada, sofrendo bullyng em seu colégio, sem nenhuma referência masculina ; Judy sofria com a forma de como seus pais a viam nesse novo contexto no qual o jovem precisava se sentir afirmado pelos seus amigos, vivendo da forma como eles viviam, ao consumismo frenético. ( Nota-se como os pais deixavam de ver suas filhas como inocentes, e tinham medo de sua aproximação, como no simples pedido de um beijo paternal )


Nesse foco, o filme vai destruindo todas as instituições cena a cena. Nicholas se preocupou em mostrar como o jovem vivia descompassado com o moralismo da época; vemos a polícia como arma de coação familiar, o colégio como palco de correção comportamental e assim, sucessivamente, tendo a família como a instituição mais falha. Para demonstrar essa falha, o diretor lançou mão de uma técnica cinematográfica: a representação da superficialidade dos adultos. Durante o filme todo, Ray procura mostrar como os pais estão entretidos em manter seus filhos de acordo com os moldes de status da época, e de como a família não se interessava em ouvir seus filhos, mas sim em silenciá-los para que os vizinhos não os ouvisse também.



O diretor brinca também com as cores, atribuindo os tons vermelhos e febris para os jovens, em especial na figura de Jim, para representar esse grito preso dos jovens, de como eles buscavam se expressar, e em contraponto, veste os pais com roupas mais neutras, para demonstrar suas moralidades, os seus comportamentos reacionários. O jovem perdia a referência de sua casa como norte, e com isso, passavam a se construir na rua, com os modelos propostos pelos amigos, nessa socialização mais forte do que se imaginava.


Outro aspecto interessante do filme é de que ele todo se passa no espaço-tempo de 24 horas, ou seja, de um dia só, para refletir como o jovem buscava a satisfação momentânea, e serve como uma retratação também crítica, apesar do filme se servir a ele. O diretor busca mostrar, também, de como o jovem era ainda infantil, sem também referência de infância, carente de atenção, apesar de suas aspirações em ser adulto. Ray problematiza essa questão, permitindo diversas análises, tornando o seu filme uma ótima fonte de pesquisa. O diretor também busca, como disse Geoff Andrew, editor chefe de cinema da revista Time Out de Londres, elaborar uma dicotomia entre os espaços públicos e privados no filme para que pudéssemos compreender as emoções dos personagens, mostrando o cenário escuro do planetário como refúgio para que os jovens falassem de seus sentimentos, e o cenário claro do estacionamento do planetário para mostrar a agressividade febril dos jovens envolvidos.


Durante o filme, uma das preocupações dos pais de Jim é em deslocá-lo de vários lugares para que ele pudesse ter um novo recomeço. Nesse sentido, Ray busca evidenciar que esse fenômeno de contracultura (movimento de combate ao modelo reacionário cultural) era universal, e que a ideia de família perfeita se esvaziava passo a passo.


A obra busca abordar outros conceitos através da sua duração, de forma mais implícita, como a sexualidade incontrolável que se surgia, o machismo, o preconceito e a disseminação da violência entre jovens. Alguns críticos veem no filme Juventude Transviada uma certa romantização da delinquência infantil e apontam isso como uma ideia fixa no cinema; como nos filmes Blade Runner e Laranja Mecânica. Esse apontamento não deixa de ser verdade, mas deve-se entender que o Cinema não só daquela época, como o de agora, busca estabelecer elementos dentro da narrativa do filme que faça com que o público se identifique com os personagens centrais da trama.

Outra questão que surge do filme é: qual é o verdadeiro motivo pelo qual os três jovens buscam simular a sua verdadeira e perfeita família, quando fogem da cidade ? Nicholas busca enfatizar a ideia de que o jovem considerava seus amigos como a sua verdadeira família, porque os jovens compartilhavam das mesmas ideias e sensações contextuais. A família real perdia seu papel.


Após essa dissecação do filme, buscamos entender o chamado fenômeno James Dean. O ator, apesar de ter feito apenas três filmes (Juventude Transviada, Vidas Amargas, Assim Caminha a Humanidade), já que morreu de acidente de carro no seu Porsche,(devido a alta velocidade, como ele mesmo previra que um dia morreria) consagrou-se e se eternizou como símbolo daquela época, como simbolo de descompasso e de efervescência juvenil, na mesma ideia de Elvis Presley. O Ator, assim como seu personagem, vivia aos seus moldes, e deu início a uma série de influências em sua época, como o uso de jaquetas vermelhas, o seu corte de cabelo etc […] James Dean não buscava quase nunca saber sobre suas notícias em jornais sensacionalistas e gostava de ser visto como rebelde. Tanto Natalie, como Salo, estrelados como Judy e Plato, se apaixonaram por Dean, que causava esse efeito nas pessoas com as quais vivia.



De uma certa forma, Dean representava o fortalecimento da cultura pop e sua figura foi manipulada pelas mídias para que servisse de veículo de consumo entre seus fãs. No entanto, é inegável a sua habilidade formidável no cinema, sendo ele visto como, talvez, ao lado de Marlon Brando, o melhor ator do mundo.


Juventude Transviada, assim como inúmeros outros filmes, evidenciam que as vezes o Cinema pode representar, em sua linguagem exclusiva, o momento histórico que passa, servindo aos propósitos de seu diretor, como no caso de Nicholas, que desejava se comunicar com esse grupo juvenil. A sociologia é decodificada por diversos símbolos, e os símbolos do Cinema, como diz o professor de Filosofia, Julio Cabrera, professor da UnB, servem para que possamos obter uma aprendizado cognitivo amplo e experimental, que nos faz não só entender conceitos sociológicos e filosóficos, mas nos faz nos apropriar deles para toda nossa vida.


Amarcord

Posted: sábado, 10 de abril de 2010 by Marcelo Augusto in
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Amarcord é, talvez, uma das obras mais poéticas e líricas do Cinema dos anos 70, perpetuando-se como um novo Cinema, onde a Arte explora o fértil universo da imaginação e exponencia o que há de melhor em recordar o nosso passado. Fellini se aprofundou, permeado pela verve saudocista, na identidade de uma pequena cidade italiana, onde a vivacidade e musicalidade de seus habitantes a consolidam como um verdadeiro baú de emoções, que traduzem uma cultura italiana própria,que seria esquecida pelo tempo e pelo espaço, se não fosse, como o próprio título traduz, a linda capacidade humana de se recordar.

O argumento do filme retrata uma sociedade interiorana da Itália sem se comprometer com a veracidade limitrófa entre a realidade e a imaginação. A idéia central do filme ressalta um povoado característico e se desenvolve de uma forma arrítmica, onde diversas técnicas de filmagem se misturam num frenesi de retratações. Fellini se preoucupou em revelar uma diversidade cultural através de um olhar anacrônico, onde o que se é mostrado não representa, necessariamente os fatos fidedignos dos anos 30 mas representam como as pessoas enxergavam esses fatos, permitindo-se assim liberdades de expressões distintas, ou seja, os fatos se misturavam as diversas percepções atribuídas à eles. Percebemos tal interação através de metáforas genuinas fellinianas, como o exagero, a abstração, a nebulosidade, a sexualidade e diversos outros signos próprios da imaginação humana.

Fellini desenvolve uma linha cronológica exata - a retratação de um ano importante para aquele povoado. No entanto, o percusso escolhido para representá-lo não se compõe de forma padrão e ritmíca, onde os fatos não possuem conexões com outros fatos, a não ser os personagens que os dividem. O ano representado significa um pequeno passo do reconhecimento público italiano para aquela comunidade carente de atenção, que precisa lidar com os marasmos de suas fronteiras, perdidos por uma imensidão esquecida. A força daquelas pessoas se resumiam em acreditar em sua comunidade e se iludirem numa falsa importância que ela possuía. A forma como Fellini as retrata é de uma destreza acadêmica, pois consegue conjulgar simples valores para uma sociedade que vive do acreditar. O ano retratado os aproxima de uma identidade cultural e denota uma realidade histórica daquela época: a visita de Mussolini, a passagem do Transatlântico entre outros.




A comunidade possui personagens que constroem, conectivamente, uma história de uma cultura, e Fellini aborda essa questão de forma a esteriotipar beneficamente seus personagens. O prisma abordado por ele abusa de uma visão mais ingenua dos fatos, desmistificando um pouco mais aquela sociedade e calvagando por uma outra verve cinematográfica: a qual a sociedade é representada pelos sentimentos daqueles cidadãos, em especial, de Titto, um jovem italiano. O filme se assemelha a uma comédia colorida, onde os personagens permitem que o espectador sinta-se entre eles, vivendo aqueles fatos.

Os personagens são os verdadeiros olhos de ouro da trama e atribuem para a obra a sensação de calor, como se aqueles personagens já houvessem cruzado nossas vidas, numa realidade distante e quase esquecida. Sentimos as nuances simples daquele povo, aprendemos a rir com eles, a ansear com suas necessidades, nos consideramos parte daquela comunidade frágil que se constroem de valores imediatistas, mas que usam do amor para enfrentar as adversidades que passam. Fellini conota uma abstrariedade dos fatos, das sensações e nos faz entender aquela sociedade não na posição de um analítico, mas na posição de um interativo, de um participativo.

O Cinema Felliniano, principalmente representado por Amarcord, nos conduz à um novo mundo do Cinema, onde as regras de uma uniformidade cinematografica não existe, por que reduz o seu argumento. Os personagens de Fellini falam diretamente conosco, espectadores, e as lembranças nos abraçam, nos faz nos emocion armos juntos, como se elas existissem em nós e não neles.

Não há como abordar essa obra sem falar do como a cultura italiano explode na tela, de uma forma intensa, presente. A Itália é o plano de fundo da obra e isso não é perdido de vista nenhum minuto da trama. O corpo do filme abusa dessa qualidade e o torna exclusivamente italiano, soando ser um filme para os italianos, o que, na verdade, não é. Fellini objetiva mostrar ao mundo o que era ser italiano no começo do século XX e consegue, de pura excelência. A trilha sonora do filme é radicalmente fantástica, uma pequena perfeição dentro de outra perfeição. O contexto de soundtrack não é o atual, que significa acompanhar o filme dando intensidades distintas à diversas cenas, mas é um contexto diferente, onde ele não procura dar uma intensidade técnica para obra, mas pretende ritmizar aquelas cenas, nos familiarizar com aquela cultura, se comportando de forma regular e extremamente eficaz, dando uma sensação de constituinte ao filme e não de tecnicismo.

Amarcord precisa ser lidado como um filme eterno, onde a beleza de seu argumento não esmorece com o tempo e passa a representar ainda melhor ao que se propoem. Fellini quis transmitir a idéia de que a cultura não morre no momento em que os seus filhos desaparecem no tempo, mas morre quando ficamos indiferentes a ela, e a esquecemos. O filme felliniano é uma ópera do ser humano coletivo e abraça valores já perdidos na sociedade, que deveriam ser resgatados e vistos como uma nova oportunidade para se recriar.


Tomates Verdes Fritos

Posted: quinta-feira, 4 de março de 2010 by Marcelo Augusto in
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Tomates Verdes e Fritos, dirigido por Jon Avnet, reproduz o que há de melhor na instrumentalização da fábula social como arma do Cinema Moderno. O filme estrutura uma relação entre a sociedade da pequena cidade do Alabama e demonstra como os homens podem interferir no modo como os cidadãos se comunicam e lidam com os outros. A trama nos mostra, numa verve encantadora, duas histórias diferentes que se afetam diretamente: o drama de Evelyn Couch, representada pela admirável Kathy Bates, que se compoe numa mulher com dificuldades para ser a protagonista de sua própria vida e o drama de Idgie Threadgood e Ruth Jamison que enfrentam a pacata sociedade em que vivem e criam um novo modo de conviver com os outros. O que separa essas duas histórias é os mais de cinquenta anos que se passam entre elas, atribuindo a obra o tom certo de mágica.

A fábula ganha vida na estruturação de como esses dois dramas colidem: através da narração de Ninny Threadgood, uma idosa senhora, magicamente interpretada por Jessica Tandy, a história é passada de uma geração para a outra, onde Evelyn Couch escuta as narrativas das vidas de Idgie e Ruth e passa a repensar sua própria vida. Vale ressaltar que o modo como Ninny conta as aventuras das duas damas do começo do século XX , de um modo aconchegante e íntimo, é o grande responsável pela nossa afinidade instântanea com os relatos.




Dentro da história de Idgie e Ruth, existem fatores que revelam uma sociedade unida e ao mesmo tempo, uma sociedade que está passando por mudanças éticas naturais com o decorrer dos anos. Os valores vão mudando e a genialidade dessas duas garotas acabam por modernizar a sociedade e ganha um sentido social, quando as suas lutas passam a dar aos negros espaço entre os cidadãos. Como não é difícil de imaginar, lutar por uma sociedade mais digna acaba atraindo divergências, e é exatamente nesse ponto que a história irá se circundear. O preconceito é ainda latente entre alguns cidadãos, e a luta integralista das meninas acabará as colocando em risco de vida, ainda mais com a presença da Ku Klux Kan.




A obra, apesar de expor fatores ideologicos e possuir uma crítica presente acerca de como a vila irá se adaptar aos ideiais revolucionários de Idgie e Ruth, usa como essência humanizar as relações entre os personagens, explorar minunciosamente a beleza e a força da amizade e ressaltar a incrivel capacidade que temos de alterar a vida dos outros. Esse fator é bastante visível na relação entre Ruth e Idgie, que irá percorrer a história toda e será através dessa dialética que a trama irá se proceder. As duas passam a desenvolver valores novos e mostram que a união faz a força e justamente por irem de encontro com vários juízos de valores reacionários, acabam por se vulneralizar aos riscos. Essa mesma essência está presente, anos depois, na relação entre Ninny, que conta a história, e Evelyn, que a escuta e percebe que Idgie e Ruth souberam como tomar atitudes e se valorizaram, coisas que andam em falta na sua vida.

A idéia central do filme é a de mostrar como uma história de vida pode alterar outras histórias de vida e como a força entre a amizade pode ser tão verdadeira a ponto de revelar em nós o que nos há de melhor. A história cativa e traz o que é mais digno do ser humano: a honestidade de avaliar os seus atos e de refletir sobre a sua vida. A obra abusa de fatores positivos cinematográficos, como a trilha sonora adequada e extasiante, e o figurino correto e profissional. As técnicas de filmagem são competentes e o roteiro é incrivelmente delicioso de se acompanhar.

Mary Stuart Masterson, que representa Idgie, produz um trabalho encantador e acrescenta a sua personagem a  nuance certa de uma pessoa forte, revolucionária e apaixonada pelas pessoas. O filme é basicamente isso: pessoas que amam outras pessoas, pessoas que lutam por outras pessoas. A mágica social textualiza cada cena e cria um contexto capaz de expressar a sensação certa. Ruth, representada por Mary-Louise Parker, é o alicerce do elenco que conclui o a mensagem da obra: a pessoa que precisa ser amada. Mary-Louise é, talvez, a atriz mais profissional do elenco relacionado a trama contada por Ninny. Ela é capaz de traduzir em seu olhar a emoção certa que a cena pede.




No outro núcleo do filme, Evelyn Couch resolve aplicar em sua vida certas filosofias de Idgie, e assim, passa a se valorizar mais e ganhar voz própria. A magia das relações entre as pessoas é bem expressada dessa forma e reproduz o aspecto necessário para que a história ganhe um sentido mais humano e interligado. Kathy Bates está num dos seus melhores momentos e sua personagem possui todos os elementos que Bates é profissional em expressar. Ninny Threadgood é o canal entre a história de Idgie e Ruth com a história de Evelyn, e por isso, ganha uma importância essencial para que a história se conduza.

A vilania do filme não é o ponto principal da obra, mas é necessária para que a história proceda. Além da ignorância preconceituosa de certos habitantes, há um personagem em especial que caracteriza todos os valores não pregados por Ruth e Idgie: Frank. Ele é o ex marido de Ruth, que além de praticar o racismo, se vangloria de bater em Ruth e de, inclusive, matar sua mãe. O personagem é responsável por provocar ás moças momentos de dor e de raiva e isso, acabará, as levando ao seus extremos.





Existe um complexo julgamentos de valores durante o filme todo, mas a obra jamais perde seus aspectos irreverentes. A irreverência é a segunda alma do filme, sendo a primeira a amizade. O roteiro nos permite rir, ter raiva, se apaixonar e por isso, consagra a sua produção como uma das melhores do cinema. Tomates Verdes e Fritos é uma tradução da humanidade em todas as suas facetas e explora o universo mais íntimo do ser humano: ele próprio. A relação temporal entre gerações acaba ganhando um sentido mais literal e surpreendente ao fim, quando enxergamos uma relação intrigante entre Evelyn e Ninny com Ruth e Idgie. O filme merece ser visto com o olhar de um apaixonado e merece também ser lembrado como uma obra forte em seu contexto e ao mesmo tempo frágil, por narrar uma história repleta de subjetividades encantadoras. Com certeza, uma verdadeira menina dos olhos do universo cinematográfico.

Forrest Gump

Posted: terça-feira, 8 de dezembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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 Aviso: 67 % de spoiler

Forrest Gump é uma das obras mais cativantes que o Cinema já construiu. O filme possui elementos inéditos em relação ao tempo que foi lançado e consagra Tom Hanks como um dos melhores atores de todos os tempos. A história do filme é apaixonante e abusa da sua simplicidade permanente. A trajetória de Forrest Gump ilustra muito bem a história contemporânea dos EUA, através de uma forma riquíssima, irreverente e carinhosa.

O filme começa com uma pena caindo, aleatoriamente, nos pés de Forrest. Depois desse momento de suma importância para se entender a alma do filme, que explicarei mais adiante, Gump começa a contar sua história, sentado num banco de uma parada de ônibus. De imediato, percebemos que Gump é a ingenuidade e inocência em pessoa, e isso favorece para que a sua história seja mais linda e emocionante ainda.

A medida que nos aprofundamos na narrativa de Gump, vamos nos identificando pelo seu personagem e criando uma relação tão consistente com o filme, que acabamos envolvidos por todos os momentos da obra. Acompanhamos a infância de Forrest, e logo no ínicio, conhecemos  Jenny, sua única e verdadeira paixão. O filme lança mão dessa simbiose entre os dois personagens e concretiza todos os aspectos necessários, para que mais tarde, o filme se desenvolvesse de forma mais fluente, usando a dialética Gump-Jenny como pilar para que a história proceda.

A vida juvenil de Gump é a típica vida de qualquer americano daquela época, e nesse momento, percebemos a primeira de muitas qualidades do personagem: a sua capacidade de correr. Forrest usará essa artimanha durante sua vida toda { inclusive durante uma sequencia toda do filme }. Foi essa capacidade que permitiu Gump ser jogador na faculdade e permitirá, mais tarde, que ele se torne ícone americano { explicarei mais tarde esse momento de sua vida. }

Entrando na vida adulta de Forrest, percebemos que ele viveu uma fase turbulenta, que envolveu Guerra do Vietnã, Manifestação Pública, Campeonatos pelo Exército. No período em que passa pela Guerra, Gump continua sendo a mesma criatura dócil e inocente de sempre, e é graças á essas características, que torna Forrest em um grande soldado americano. Desse momento, as primeiras prerrogativas de uma vida adulta invade a existência de Gump, começando a torna-lo mais maduro. Ele ainda nutre veementemente sua paixão pela Jenny, que visivelmente, não sente nada por ele, além de um carinho afetuoso enorme.





Inicia-se aí a fase mais dark de sua vida, quando Gump descobre que Jenny não vive uma vida muito boa, já que ela se rendeu ás drogas e as humilhações machistas típicas daquela época. É nessa fase também que Forrest começa a ter que lidar com a morte: principalmente de seu grande amigo morto em guerra, o Bubba.{ criatura mais irritante e bizarra de toda a história do cinema, quem viu o filme, me entende, rs } No entanto, é nessa fase, que Forrest precisará entender que a vida é mais complicada que parece, quando ele percebe que suas atitudes, por mais claras e certas que fossem, não trazia a felicidade esperada. Essa situação é bem dialogada através do personagem de Gary Sinise, o Tenente Dan Taylor. O Tenente é salvo da morte por Gump, mas acaba perdendo ambas as pernas, provocando em Dan um sentimento de revolta por ter sobrevivido. Nesse contexto, Gump começa a ter que lidar com as complexidades - inesperadas - da vida.

Usando como plano de fundo do filme, está toda a história conturbada de um EUA lutando pela posição maior no cenário mundial, tendo que lidar com movimentos hippies e inclusive movimentos étnicos, como os Pantera Negras. Nesse palco, Gump precisa construir sua história, como a figura vencedora do conservadorismo, aquele símbolo americano, que todos deviam seguir. Encontra-se aí, talvez, uma das maiores mensagens ocultas do filme que é a manipulação da sociedade em cima da figura do homem. Gump, mesmo vivendo uma vida agitada, se mantém ingênuo e apaixonado pelos outros. A alma de Forrest não se altera, e reside aí a beleza do filme, ou pelo menos, a razão por tornar o filme em uma obra-prima.

Depois desse período conturbado, o filme lança mão de um cenário mais calmo, onde Forrest se encaminha para uma idade mais madura, vivendo uma aventura nova: dono de um barco de camarões { em homenagem a seu amigo morto na Guerra do Vietnã } ao lado do ainda revoltado Tenente Dan. Vale frisar que Jenny não se mantém, momento algum, após a infância, presente na vida de Forrest, salvo apenas alguns momentos em que se esbarram durante o filme. Nesse momento de sua vida, Forrest começa a pensar, compulsivamente, pelo seu amor perdido. E nós, o público, torcemos para que a relação Jenny-Gump aconteça, mesmo sabendo, que não existe reciprocidade entre eles.

Ao fim do filme, ocorre uma reaproximação de Jenny e Forrest, mas, posteriormente, percebemos que Jenny apenas se rendeu ao amor de Forrest, e decidiu fazê-lo feliz, mesmo que por um breve momento. Antes que notemos, a personagem saí tão repentinamente como entrou, da vida de Gump. Porém, depois desse momento, a vida de Gump se altera definitivamente. Desesperado por perdê-la, Forrest simplesmente decide correr. Ele corre durante quase três anos e meio, tornando-se novamente ícone americano. De imediato, percebemos que aquilo é a fuga de Gump em relação á sua fracassada vida amorosa.





O filme é simplesmente fantástico. A magia da obra não se encontra somente nesse contexto exposto até aqui, mas vai além disso: a direção do filme introduziu aspectos irreverentes no enredo, brincando com o destino de Gump, o tornando responsável pelos passos de Elvis Presley, e criador da música Imagine, de Lennon. O filme, inclusive, coloca Tom Hanks, ao lado, de John Lennon! Lógico que isso não ocorreu, e está aí um dos motivo pelo qual o filme ganhou o oscar de Melhores Efeitos Especiais.

Outro aspecto essencial para o filme, é o brilhantismo de todas as interpretações. Cabe aqui, ressaltar que Hanks nunca conseguirá interpretar tão bem um personagem, como interpretou em Forrest Gump - O contador de Histórias. Admiro, intensamente, a capacidade de Tom Hanks em desenvolver tão excepcionalmente qualquer personagem que seja incubido de intepretar. Os outros atores do filme, como Sinise e Robin Wright  { Jenny }, desempenharam muito bem também seus personagens, mas ficaram a sombra do brilhantismo de Hanks e seu personagem, Gump.

Alan Silvestre criou uma trilha sonora tão bem construída, que não posso escrever essa resenha sem citá-lo. As músicas do filme se encaixam perfeitamente com os momentos em que são colocadas, e ouvir Hendrix nunca é demais! Os outros aspectos técnicos do filme são de mesmo esplendor e tornam o filme, em uma obra inesquecível. O filme possui cenas muito bem feitas e é incrível imaginar como eles souberam aproveitar cada minuto do filme.
 


Bem no final do filme, Jenny finalmente se casa com Gump. No entanto, é obvio que ela se submete a isso apenas porque, estando em estado terminal de AIDS { não fica explícito que é essa a doença, mas se percebe facilmente que é, no mínimo, uma alusão ao período de pandemia da AIDS no mundo }, ela precisa que alguém cuide - pasmem - do seu filho, que também é filho de Forrest Gump! É justamente esse aspecto que dá sentido a vida de Gump e será esse filho que fará com que a vida de Forrest, após a morte breve de Jenny, ganhe algum sentido. 





Entra então em cena, uma das melhores cenas do Cinema: o monólogo que Forrest faz consigo mesmo, na frente do túmulo de Jenny. Ele explica o quanto a amou e o quanto ela foi importante na sua vida, e tenta explicar porque essas coisas acontecem. É exatamente nesse momento, que entendemos o motivo da pena no ínicio do filme. Gump fala que existe sim um destino, ao qual devemos estar desprevinidos, mas que cada destino faz parte de um plano maior. 

A pena é uma métafora linda do que ele disse, mostrando que apesar dela está a mercê do vento, ela sempre cairá no lugar certo, que no filme, foi aos pés de Gump. A pena voa novamente, quando a história de Gump encerra-se de forma simbólica { quando ele leva seu filhinho, também chamado de Forrest Gump, para a parada do ônibus escolar, em alusão ao ínicio do filme, que também possui essa cena. }. A pena voa, aleatoriamente entre as árvores, e termina caindo em nossa direção, terminando o filme com a mensagem de que a sua história também é fantástica, assim como foi a história de Forrest Gump.



Nota: 9.5
Abraços

Up - Altas Aventuras

Posted: sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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Aviso: Contém 40% de Spoiler

Up - Altas Aventuras é a prova real de que a Pixar encontrou a fórmula certa para seus filmes: a arte de aproveitar o diferente. O filme é a nova preciosidade da Disney e possui elementos novos e irreverentes, tornando-se a obra mais delicada e bem feita desse ano. A máquina cizenta responsável pela criatividade cinematográfica da Pixar está de vento em polpa, e tomara que continue assim, para o bem de todos nós cinéfilos.

O filme permite que os telespectadores experimentem uma sensação nova de torcida por um elenco nada convencional e permite que todos se maravilhem com a doçura e elegância de um enredo original e fantástico. Não tem como não se render á Up - Altas Aventuras. Chega ser surpreendente a forma como o filme se procede: tudo conspira para que a trama ganhe vida a cada cena que passa, explorando um cenário inusitado nos cinemas, possibilitando, assim, que o público não perca de vista a magnitude que a obra possui do ínicio ao fim.

Em primeiro lugar, temos um personagem-central totalmente diferente do que estamos acostumados: Carl, o velho. O personagem possui um encanto mágico e abusa da originalidade para se desenvolver. O ínicio do filme esclarece os cinéfilos sobre essa curiosa figura e nos torna íntimo dele tão rapidamente, que, quando mal percebemos, já estamos sofrendo com ele, a medida que o ínicio do filme { que se comporta quase como um curta-metragem dentro do filme em si } se encaminha para um fim melancólico. A partir desse momento, o filme verdadeiramente se inicia, mas todos os elementos necessários para que a história se proceda já estão plantados em nossas espectativas.

A medida que a história se desenvolve, as cenas vão se tornando cada vez mais encantadoras e a sensação de aventura cicatriza gradualmente. O filme segue uma linha cômica com elementos tão originais que não tem como se cansar da obra: a sinopse sugere que o passeio pela casa flutuante será durante o filme todo, e de imediato, percebemos que a obra não seguirá por esse caminho. Para a minha surpresa, os personagens centrais passam mais tempo em chão firme do que no assoalho da casa voadora. O interessante é a forma como a história se propaga uma vez que não existe previsibilidade na obra. Não há como prever o que vai acontecer, e isso é o maior charme do filme.





Logo em seguida, temos os personagens secundários da obra: Russell { a criança de 8 anos }, o cachorro e o pássaro. A Pixar realmente soube aproveitar a relação temporal entre o velho Carl e o jovem Russeal. A simbiose entre os dois é intensa e ali se encontra um dos maiores tesouro do filme. Depois deles, vêm todo o arsenal de personagens curiosos, bizarros e fabulosos: cães que usam aparelho para se comunicar, um pássaro viciado em chocolate e etc. O filme pede para forçamos um pouco da nossa imaginação, mas isso não é impossível, já que todos os elementos da obra conspiram para que possamos nos sentir livre para as invenções fantasiosas da trama.

A verdadeira premissa do filme, que é justamente os seus olhos de ouro é a redescoberta de Carl nessa sua, talvez, última aventura. Existe diversos fatores que o impulsiona a se aventurar pelo maior sonho de sua vida: chegar á uma cachoeira perdida na Venezuela. Essa amostragem psicológica funciona muito bem no filme, servindo de inspiração tanto para crianças como para os mais velhos dos adultos.

Como a Pixar consegue construir uma trama tão rica e meticulosamente inovadora em cima de um esqueleto-enredo tão simples? Está aí a verdadeira alma desse maravilhoso estúdio de Cinema. A Pixar está vivendo seu zênite e com certeza, Up - Altas Aventuras é uma, ou talvez a sua obra-prima. Além dos elementos semânticos, essa síntaxe de efeitos visuais ajuda e muito para perpertuar esse sabor de mini-perfeição que Up possui.

Pessoalmente falando, Up possui um pequeno, quase imperceptível, declive na sua qualidade durante o filme. Progressivamente, o filme se encaminha para um fim mais vibrante e mais infantil, diminuindo um pouco esse brilhantismo do enredo. Isso não se torna algo muito negativo, mas poderia ter sido melhor trabalhado. No entanto, quase nas últimas cenas do filme, percebe-se uma mensagem exclusivamente reflexiva de que o filme não terminou em um típico final feliz, mas mesmo assim, o velho Carl encontrou a sua felicidade perdida. Dessa forma, o filme volta a se nivelar em termos de excelência.

É encantador essa sagacidade do filme de possuir um final também diferente { me parece que essa palavra está presente em toda a crítica do filme, exponenciando a idéia de que o filme realmente é original }, quebrando com qualquer indução de se prever o final antes de vê-lo. O filme é extremamente equilibrado, sabendo aproveitar de todo o leque de funções que possui: a função emotiva, função cômica, função reflexiva, função aventuresca entre outras.

Outro fator positivo do filme é a versatilidade da Pixar em munir o filme de um humor moderno conectado com um tom de fábula, característica marcante dos velhos filmes de animação. Up - Altas Aventuras emociona de um jeito intenso, artimanha difícil de ser feita por estes filmes. O filme possui um bolsão de emoções que, em síntese completa, resulta num mutualismo de sensações tornando o filme vívido e apaixonante.

O campo contextual responsável pela vilania presente no filme, incorporada por Charles Muntz, o explorador aéreo desacreditado por todos por causa de uma suposta fraude, acrescenta a obra o necessário argumento para que a história se propague, mas não é ele que compõe unicamente a obra, já que o filme enfoca também no existencialismo de Carl. Essa capacidade de manipular os focos do filme durante sua rodagem torna o filme ágil e veloz, favorecendo ainda mais para a boa avaliação de Up - Altas Aventuras.

Ellie, a falecida mulher de Carl, é responsável por todo esse arcabouço mágico do filme e não há como analisar Up, sem citar a doçura e o encanto que Ellie transmite ao filme. Ela não se faz presente fisicamente durante todo o tempo, mas sua presença espiritual permite que a trama não perca essa favorável sensação de carisma que o longa possui.





Analisando esta obra, entro em choque com umas das minhas convicções cinematográficas: será que a originalidade de Up - Altas Aventuras consegue torná-lo melhor que o fantástico e memorável Wall-E ? Para aqueles que não acreditavam que a obra pudesse ser superada, encontra-se aí um possível candidato a quebrar essa afirmação. Ambos os filmes são estrelas no mundo das animações e possuem argumentos diferentes. Comparando os dois { se é que é possível }, ainda prefiro Wall-E. E você, hm?

Concluindo esta resenha { que me aparenta ser a maior de todas que já fiz }, resumo que a obra é um ode ao brilhantismo da Pixar e possui elementos que quase ninguém enxergaria juntos, mas que se provaram ser uma mistura curiosa e definitivamente, proveitosa. O filme usa a arte de entreter de forma inteligente e descontraída, e comprova aquilo que certos filmes desse ano estão reforçando: para um filme ser bom, não é necessário apenas ser bem feito, mas é necessário também ser audacioso em sua alma.


Nota: 8.8
Abraços

Paris, Te amo

Posted: quarta-feira, 2 de dezembro de 2009 by Marcelo Augusto in
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Paris, Te amo é uma coletânea de diversas visões não só sobre Paris, mas sobre o Cinema, como um todo. O filme não possui apenas um papel artístico, retratando a cidade das luzes de diversas maneiras, mas possui um papel funcional, ou seja, Paris, Te amo se compromete também em mostrar como é a sintonia de diversos visionários cinematográficos unidos pela a arte que julgaram a mais fascinante de todas.

Nessa obra é possível ver o carinho despreendido pelos dezoito diretores que se empenharam em mostrar Paris de uma forma multicriativa. Não existe um tema fixo no filme, como é o amor em Nova York, Te amo. A obra demanda sensibilidade em ser resenhada, pela tamanha complexidade que possui em abraçar um projeto tão grandioso e ao mesmo tempo tão bem construído.

A ousadia em decodificar Paris de tão variados e sortidos modos, permitiram a criação de uma obra genuina, fragmentada e ao mesmo tempo coesa e completa. O filme é uma viagem mística e urbana pelas vielas da capital da França, mostrando personagens que completam a efervescência de ser Paris, viver Paris, transpirar Paris.


Fechamento de Novembro

Posted: terça-feira, 1 de dezembro de 2009 by Marcelo Augusto in
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Apesar do atraso de um dia, o Cinemótica completa e encerra o mês de novembro, com um pequeno parâmetro do que o mês trouxe para o blog. O mês foi badalado por causa do Festival Internacional de Brasília e por causa da estréia de alguns filmes muito aguardados durante o ano. Apesar disso, o mês de novembro se encerra de forma não tão desejável e as espectativas são transferidas para o mês de dezembro.

Caso você queira ler alguma das melhores matérias de novembro, acesse: Nova York, Te amo , 500 dias com ela , Festival Internacional de Cinema e 2012. Nessa postagem de agora, você poderá ver um balanço dos filmes vistos, e inclusive o ranking deles. Exponho aqui também a lista de filmes que serão avaliados no mês de dezembro!

Aproveitando o espaço, gostaria de agradecer a colega Cintia Carvalho, dona do ótimo blog Cinecabeça, o qual visito sempre.O blog, de imediato, já apresenta uma estética favorável e limpa, tornando os textos mais agradáveis ainda. Os textos apontam muita dedicação e carinho da Cintia, que demonstra sempre um grande envolvimento sobre o tema que discute, expressando sua opinião de forma sempre pessoal, bem escrita e harmônica. As suas dicas são muito utéis e as suas escolhas de filmes são sempre certeiras! Indico a todos vocês este ótimo blog!


2012 - O filme

Posted: quinta-feira, 26 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in
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2012 é um filme de desastre universal. O filme mostra o mundo sendo destruído de forma suntuosa, inacreditável e ás vezes ilógica. Mas mesmo assim, 2012 continua sendo um filme de desastre universal e ponto. Por que reclamar tanto de um filme? Acho que está ocorrendo uma nítida má confusão entre gêneros e pesperctivas. O filme realmente possui personagens risíveis, falas e momentos clichês, mas mesmo assim, se adequa ao tema que conduz: catástrofe terrestre.

O maior pecado do filme é ter feito uma propaganda enganosa: quanto se foi dito sobre tantas mitologias acerca de que o mundo acabaria em 2012? Elas simplesmente inexistem no filme, e quem for vê-lo esperando algo filosófico ou pelo menos, um pouco misterioso, esqueça, 2012 não é filme para isso. Não aparece, em momento algum, qualquer tipo de sugestão profetica dentro da trama, além de uma pequena piada sem graça no começo da trama.


Festival Internacional de Cinema

Posted: segunda-feira, 16 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores:
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Encerrou-se ontem, a XI edição do até então pouco conhecido FIC - Festival Internacional de Cinema em Brasília. Mas o que realmente representou esse festival ? Pude conferir poucas obras das 86 expostas, e por isso, a resposta a essa pergunta se torna relativa. Mesmo assim, já imaginando que eu não conseguiria ver todas as obras em apenas um semana, organizei uma equipe para me aconpanhar nessa empreitada, vendo outros filmes para depois unirmos as críticas. Resultado: 9 filmes foram realmente analisados pela equipe do Cinemótica, e por meio desta postagem,  exponho uma panorama  parcial dos filmes que compuseram o FIC e, resumirei, sinteticamente, o que o FIC trouxe, este ano, para a Capital Federal.

Em primeiro lugar, será produzido um pequeno texto compilando tudo que foi explorado. Ao fim, colocarei uma resenha rasteira de cada um dos nove filmes assistidos, dando um fim, então, ao nosso trabalho nesse último evento internacional de cinema.


500 dias com ela

Posted: sábado, 14 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , ,
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500 dias com ela, de recente estréia nos cinemas, simplesmente convence. O filme trasmite harmonia do ínicio ao fim, flui por completo e faz bonito. O carisma despreendido por Marc Webb é válido e comprova que, ás vezes, uma história não precisa de mais nada para ser boa, além de uma simpática forma de ser contada.

Sim, o filme é simples assim: Summer ( interpretada pela belíssima Zooey Deschanel ) conquista, involuntariamente ( ou não ) o amor do jovem e intenso Tom ( Joseph Gordon-Levitt ). A história é de fácil acesso e de fato, em poucos minutos, estamos completamente envolvidos por ela.

O que há de verdadeiramente bom em 500 dias com ela? Com todas as certezas do mundo, respondo: simpatia. Webb pegou o que há de melhor na sua criatividade cinematográfica e conseguiu criar uma obra casual, bem dosada, acolhedora e, principalmente, harmonica. Não há o que se esconder: os efeitos da narrativa de 500 dias com ela é o verdadeiro encantamento do filme, e é ele, que contribui, e muito, para que o filme consiga o seu merecido sucesso.

Ervas Daninhas

Posted: quarta-feira, 11 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , ,
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Ervas Daninhas, filme lançado no Festival Internacional de Cinema, expressa um cinema mais etéril, pulsante e psicologicamente despreendido de pretextos. O filme é esteticamente genial, mas a sua verdadeira genialidade é o enredo surreal e divertido dirigido por Resnais. Poucos conhecem esse cinema mais irreverente que preza pela metafísica da arte cinematográfica e exponencia a mente fértil do ser humano, uma vez que a sua disponibilidade é díficil. Ervas Daninhas não é nenhuma obra prima, mas provoca e brinca com o publico, tornando-se, assim, um bom filme para se conhecer melhor esse pouco acessível mundo do cinema excêntrico.

A obra Herbes Folles trata-se de uma história simples: uma senhora francesa tem a sua carteira roubada, que é encontrada por um senhor, no estacionamento de um shopping. Esse senhor, então, prioriza como objetivo maior a devolução do objeto á dona. Inicia-se aí um jogo divertido de perseguição, amor e obsessão entre os dois envolvidos nessa casualidade.

Com um enredo banal, como o próprio diretor definiu, Ervas Daninhas é um provocante romance atípico, envolvido por cenas surreais e por momentos bizarros e metafóricos. As pessoas acostumadas com a tradição dos cinemas normais poderão se sentir incomodadas com a obra por se tratar de um película extremamente subjetiva e arrojada de cenas paradas e monótonas. O filme se revela uma deliciosa metáfora que pode ser desvendada durante a obra, com um pequeno auxílio do seu título. Sinteticamente falando, Ervas Daninhas está longe de ser um filme perfeito, mas possui um interessante recurso cinematográfico.


Nova York, Te amo

Posted: sábado, 7 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , ,
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Sendo o mais direto possível, decreto: Nova York, Te amo, filme rodado no Festival Internacional de Brasília, é um dos melhores filmes deste ano. A síntese urbana é representada fluentemente, de forma charmosa, sensível e elegante. O filme é um retrato da arte cinematográfica e reune tudo que há de melhor em se fazer cinema.

Nova York, Te amo é uma obra semelhante á Paris, Te amo. O filme também contém vários diretores, que ao total são 12,  produzindo vários curtas dentro do filme, retratando as diversas facetas de alguma cidade exponencial. O filme, no entanto, apresenta uma característica marcante que o difere de Paris, Te amo: os doze curtas do filme são interligados não somente pela cidade, mas apresentam um contexto igual, inclusive os personagens colidem com os personagens dos outros diretores, o que torna o filme contínuo e extremamente elegante.

Com o lema do filme, 'Toda as cidades tem suas diversas formas de amor',  acompanhamos doze pequenos curtas retratando a diversidade amorosa, cultural e comportamental de Nova York. O fator diferencial do filme é a sua atmosfera perfeita, uma atmosfera repleta de pessoalidades, que representa todas as aspirações e ilusões de Nova York.

Os doze diretores produziram um roteiro delicioso, intimista, acolhedor e consegue, definitivamente, te teletransportar até Nova York e te fazer sentir parte dela. É incrível como diferentes métodos de filmagem unidos conseguem criar uma ópera tão uniforme e coesa, como Nova York, Te amo é.

Abismo do Medo

Posted: quinta-feira, 5 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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Abismo do Medo surpreende: o filme traz uma atmosfera densa, bastante ambientalizada e provoca uma sensação de aflição e agonia especialmente intensa.  O filme é bastante dosado, criando um cenário de terror, suspense e ação.

Seis amigas resolvem se aventurar em uma caverna na Europa a procura de diversão. Chegando lá, as coisas não saem conforme o planejado e um pequeno desmoronamento as confina, aparentemente, dentro da grande gruta. No entanto, essa é o menor de todas as preocupações. Com o tempo, as amigas descobrem que o lugar nunca houvera sido antes explorado e que certas criaturas agressivas, realmente agressivas, moram por lá, e não gostam, aparentemente, de visitas.

O terror do filme é extremamente sensorial:a sensação de confinamento e caustrofobia é presente em toda a película e o ambiente fora criado de forma a transmitir da melhor forma possível a sensação de medo e desespero.


Albergue Espanhol

Posted: segunda-feira, 2 de novembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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O Albergue Espanhol é um filme camuflado. A obra promove a sua história como uma ficção voltada para a temática mochileira, mas se revela um conto emocional acerca de seu protagonista, tornando o filme em um romance urbano ambientalizado em um cenário turístico: Barcelona.

O caso é: Xavier, jovem ambicioso, prestes a conquistar o seu emprego mais valorizado, descobre que no seu caminho há uma pedra: ele precisa aprender o espanhol antes de se formar, já que a empresa que o pretende contratar só o empregará no setor econômico voltado para a Espanha. Logo, Xavier se debanda para a cidade mais dinâmica da Europa: Barcelona.

A alma do filme é indiscutivelmente dinâmica ( e não entenda isso como um ponto positivo ): acompanhamos o que é viver na Espanha, rodeado de pessoas de várias nacionalidades. Uma explosão de trejeitos multiculturais ? Não, o filme não é, definitivamente, isso; apesar de tentar ser. Albergue Espanhol está muito mais para um filme ritmico com dosagens de encontros culturais simples e superficiais, chegando inclusive, a ser irritantes.


Fechamento de Outubro

Posted: sexta-feira, 30 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in
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Outubro foi um mês satisfatório e, em partes, surpreendente. Foram analisados sete filmes pelo Cinemótica e também foi feito uma grande análise sobre o Terror Moderno. Foi feito uma tabela de notas para os sete filmes vistos, o que me permitiu fazer um Ranking, Nesse mesmo assunto, peço que escolham qual foi a melhor crítica do mês.

Filmes Criticados: ET - Extraterrestre , A Verdade Nua e Crua, Bagdad Cafe, Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Milagre de Anne Sullivan, Melinda e Melinda e Por que me casei.

A maioria dos filmes vistos foram tramas urbanas, e em conjunto, foram todos bem indicados.
Confira a tabela de notas.

OBS: Mês que vem começa o Festival Internacional de Cinema em Brasília e o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro. Estou disponibilizando o site do evento para que possam ver os filmes que vão passar e inclusive indicar.


Por que me casei ?

Posted: terça-feira, 27 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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Por que me casei? é uma obra recente e educadamente bem feita. O filme traz uma reflexão talvez exagerada dos relacionamentos modernos, levanta a temática entre homem e mulher, e tempera tudo ao sabor negro de se viver.

Sinteticamente, o filme narra a trama de um grupo de casais que se juntam para jantar harmonicamente durante uma noite de inverno. Durante esse evento, conhecemos as personalidades de todos os envolvidos e acompanhamos um jantar comum e tranquilo. Mas nem tudo que imaginamos é o que parece ser. No meio do jantar, uma briga verbal começa, e com ela, todos os segredos são levados a tona.

Pode-se dizer que os segredos revelados perfazem muito bem tudo aquilo que uma vida conjugal não gostaria de ouvir: traição, falta de amor, desapego, mentiras e tudo mais. Envolvidos por essa situação, os quatro casais entram em colapso e somos levados a ver um verdadeiro dossiê conjugal, onde as histórias devem ser reescritas, remodeladas e até, reinventadas.


Melinda e Melinda

Posted: quinta-feira, 22 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , , ,
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Melinda e Melinda é um filme, antes de qualquer coisa, reflexivo e charmoso. No entanto, a ferramenta que torna a obra em uma peça agradável é o tom de descontração que a história apresenta, contribuindo para que o filme seja intrigante, elegante, teatral e dinâmico.

A proposta de Woody Allen é graciosa: ele aborda as diretrizes que a vida pode seguir - comédia ou drama - e cria uma personagem - Melinda - para viver, simultaneamente, duas histórias, com os mesmo acontecimentos, com apenas uma diferença - em cada história, Melinda vive os fatos de forma cômica e na outra história, Melinda vive os mesmos fatos de forma dramática.


Apesar de tantos fatores positivos, o filme peca por ser maduro demais, estabelecendo, assim, uma relação distante com o telespectador, que não consegue se envolver profundamente com as duas histórias ao mesmo tempo.

O Milagre de Anne Sullivan

Posted: terça-feira, 20 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , ,
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Uma explosão de sensíveis sentimentos capazes de comover qualquer ser humano.É assim que O Milagre de Anne Sullivan pode ser definido.O filme consegue, violentamente, nos tocar para os limites do ser humano, e nos sensibiliza ao ponto, de sofrermos juntos com o desenrolar de sua história.

Imagine uma menina cega. Não só cega, mas muda. E como se não fosse demais, imagine uma menina surda, muda e cega. Essa personagem é Helen Keller, de sete anos, filha de proprietários de terras. Keller não sabe o que é mundo e não sabe como interpretá-lo, e apesar de tudo isso, ela precisa muito se expressar.

É imensurável dizer o quanto esse filme é belo, complexo e ao mesmo tempo verdadeiro, sendo, inclusive, cruel e doloroso.Uma obra simplesmente humana demais, mostrando como o ser humano não está seguro sobre as coisas que a vida pode aprontar.

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

Posted: segunda-feira, 19 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: ,
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A verdade é: poucos filmes possuem o encanto e charme que O Fabuloso Destino de Amelie Poulain tem. Jean-Pierre Jeunet uniu comédia, drama, romance numa só sinopse, os misturou muito bem e não só criou uma combinação entre os gêneros, mas criou um subgênero novo.

É através de Amelie Poulain que reconhecemos, na obra simples e genial, o tom melódico que o filme tem do ínicio ao fim. Dotada de cenas cômicas alla francesa, o filme ultrapassa a esfera de entretenimento e ambientaliza um cenário íntimo entre Amelie e todos os telespectadores.

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain é agradável, charmoso, bonito, irreverente e principalmente criativo.Cercado de tantas qualidades, não há como não se render a tamanha obra prima.


Bagdad Cafe

Posted: sábado, 17 de outubro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , , ,
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Bagdad Cafe é um filme pincelado por uma arte quase extinta nos dias de hoje. A arte minunciosa com que foi abordada, a destreza psicologica de suas reflexões e as impecáveis atuações de um dos melhores elencos estrangeiros da década de 80 tornam essa obra, em uma das obras mais belas e inesquecíveis na vida de um cinéfilo.

' O filme é um dos mais conhecidos cult movies da década de 80. Dirigido pelo cineasta alemão Percy Adlon, o filme trata da comovente história de uma turista alemã que, ao chegar numa hospedaria localizada num ponto isolado do deserto de Mojave, é mal recebida e até hostilizada pela proprietária do local, mas, com seu jeitinho tímido, vai aos poucos construindo uma relação de amizade pura com todos que moram e freqüentam o local. ' - Crítica