Up - Altas Aventuras

Posted: sexta-feira, 4 de dezembro de 2009 by Marcelo Augusto in Marcadores: , ,
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Aviso: Contém 40% de Spoiler

Up - Altas Aventuras é a prova real de que a Pixar encontrou a fórmula certa para seus filmes: a arte de aproveitar o diferente. O filme é a nova preciosidade da Disney e possui elementos novos e irreverentes, tornando-se a obra mais delicada e bem feita desse ano. A máquina cizenta responsável pela criatividade cinematográfica da Pixar está de vento em polpa, e tomara que continue assim, para o bem de todos nós cinéfilos.

O filme permite que os telespectadores experimentem uma sensação nova de torcida por um elenco nada convencional e permite que todos se maravilhem com a doçura e elegância de um enredo original e fantástico. Não tem como não se render á Up - Altas Aventuras. Chega ser surpreendente a forma como o filme se procede: tudo conspira para que a trama ganhe vida a cada cena que passa, explorando um cenário inusitado nos cinemas, possibilitando, assim, que o público não perca de vista a magnitude que a obra possui do ínicio ao fim.

Em primeiro lugar, temos um personagem-central totalmente diferente do que estamos acostumados: Carl, o velho. O personagem possui um encanto mágico e abusa da originalidade para se desenvolver. O ínicio do filme esclarece os cinéfilos sobre essa curiosa figura e nos torna íntimo dele tão rapidamente, que, quando mal percebemos, já estamos sofrendo com ele, a medida que o ínicio do filme { que se comporta quase como um curta-metragem dentro do filme em si } se encaminha para um fim melancólico. A partir desse momento, o filme verdadeiramente se inicia, mas todos os elementos necessários para que a história se proceda já estão plantados em nossas espectativas.

A medida que a história se desenvolve, as cenas vão se tornando cada vez mais encantadoras e a sensação de aventura cicatriza gradualmente. O filme segue uma linha cômica com elementos tão originais que não tem como se cansar da obra: a sinopse sugere que o passeio pela casa flutuante será durante o filme todo, e de imediato, percebemos que a obra não seguirá por esse caminho. Para a minha surpresa, os personagens centrais passam mais tempo em chão firme do que no assoalho da casa voadora. O interessante é a forma como a história se propaga uma vez que não existe previsibilidade na obra. Não há como prever o que vai acontecer, e isso é o maior charme do filme.





Logo em seguida, temos os personagens secundários da obra: Russell { a criança de 8 anos }, o cachorro e o pássaro. A Pixar realmente soube aproveitar a relação temporal entre o velho Carl e o jovem Russeal. A simbiose entre os dois é intensa e ali se encontra um dos maiores tesouro do filme. Depois deles, vêm todo o arsenal de personagens curiosos, bizarros e fabulosos: cães que usam aparelho para se comunicar, um pássaro viciado em chocolate e etc. O filme pede para forçamos um pouco da nossa imaginação, mas isso não é impossível, já que todos os elementos da obra conspiram para que possamos nos sentir livre para as invenções fantasiosas da trama.

A verdadeira premissa do filme, que é justamente os seus olhos de ouro é a redescoberta de Carl nessa sua, talvez, última aventura. Existe diversos fatores que o impulsiona a se aventurar pelo maior sonho de sua vida: chegar á uma cachoeira perdida na Venezuela. Essa amostragem psicológica funciona muito bem no filme, servindo de inspiração tanto para crianças como para os mais velhos dos adultos.

Como a Pixar consegue construir uma trama tão rica e meticulosamente inovadora em cima de um esqueleto-enredo tão simples? Está aí a verdadeira alma desse maravilhoso estúdio de Cinema. A Pixar está vivendo seu zênite e com certeza, Up - Altas Aventuras é uma, ou talvez a sua obra-prima. Além dos elementos semânticos, essa síntaxe de efeitos visuais ajuda e muito para perpertuar esse sabor de mini-perfeição que Up possui.

Pessoalmente falando, Up possui um pequeno, quase imperceptível, declive na sua qualidade durante o filme. Progressivamente, o filme se encaminha para um fim mais vibrante e mais infantil, diminuindo um pouco esse brilhantismo do enredo. Isso não se torna algo muito negativo, mas poderia ter sido melhor trabalhado. No entanto, quase nas últimas cenas do filme, percebe-se uma mensagem exclusivamente reflexiva de que o filme não terminou em um típico final feliz, mas mesmo assim, o velho Carl encontrou a sua felicidade perdida. Dessa forma, o filme volta a se nivelar em termos de excelência.

É encantador essa sagacidade do filme de possuir um final também diferente { me parece que essa palavra está presente em toda a crítica do filme, exponenciando a idéia de que o filme realmente é original }, quebrando com qualquer indução de se prever o final antes de vê-lo. O filme é extremamente equilibrado, sabendo aproveitar de todo o leque de funções que possui: a função emotiva, função cômica, função reflexiva, função aventuresca entre outras.

Outro fator positivo do filme é a versatilidade da Pixar em munir o filme de um humor moderno conectado com um tom de fábula, característica marcante dos velhos filmes de animação. Up - Altas Aventuras emociona de um jeito intenso, artimanha difícil de ser feita por estes filmes. O filme possui um bolsão de emoções que, em síntese completa, resulta num mutualismo de sensações tornando o filme vívido e apaixonante.

O campo contextual responsável pela vilania presente no filme, incorporada por Charles Muntz, o explorador aéreo desacreditado por todos por causa de uma suposta fraude, acrescenta a obra o necessário argumento para que a história se propague, mas não é ele que compõe unicamente a obra, já que o filme enfoca também no existencialismo de Carl. Essa capacidade de manipular os focos do filme durante sua rodagem torna o filme ágil e veloz, favorecendo ainda mais para a boa avaliação de Up - Altas Aventuras.

Ellie, a falecida mulher de Carl, é responsável por todo esse arcabouço mágico do filme e não há como analisar Up, sem citar a doçura e o encanto que Ellie transmite ao filme. Ela não se faz presente fisicamente durante todo o tempo, mas sua presença espiritual permite que a trama não perca essa favorável sensação de carisma que o longa possui.





Analisando esta obra, entro em choque com umas das minhas convicções cinematográficas: será que a originalidade de Up - Altas Aventuras consegue torná-lo melhor que o fantástico e memorável Wall-E ? Para aqueles que não acreditavam que a obra pudesse ser superada, encontra-se aí um possível candidato a quebrar essa afirmação. Ambos os filmes são estrelas no mundo das animações e possuem argumentos diferentes. Comparando os dois { se é que é possível }, ainda prefiro Wall-E. E você, hm?

Concluindo esta resenha { que me aparenta ser a maior de todas que já fiz }, resumo que a obra é um ode ao brilhantismo da Pixar e possui elementos que quase ninguém enxergaria juntos, mas que se provaram ser uma mistura curiosa e definitivamente, proveitosa. O filme usa a arte de entreter de forma inteligente e descontraída, e comprova aquilo que certos filmes desse ano estão reforçando: para um filme ser bom, não é necessário apenas ser bem feito, mas é necessário também ser audacioso em sua alma.


Nota: 8.8
Abraços

11 comentários:

  1. Adoro esse filme. Super carismático e engraçado ao extremo. Up possui sacadas geniais logo no inicio e personagens inesquecíveis. Abraço!

    Esquilo... kkkkkkk!

  1. Eu não li tudo pelo fato que não tive tempo de assistir ...mas realmente o trailer já me anima muito. desde que vi no cinema ...

    E ai tem interesse em participar do podcast do meu blog? ...
    mando um e-mail para mim..para conversarmos: geladiin@gmail.com

  1. Fernanda Neves says:

    Se existem dois filmes de animação que eu me culpo por ainda nao ter assistido é Up e Wall-E. As fotografias desse Up e essa analise que voce colocou so me fazem comprovar a ideia: eu preciso assistir ! hehehe.

  1. Indiquei o blog para receber dois selos lá no meu espaço. Passa lá depois pra retirar. Sobre Up... eu ainda infelizmente não vi.

    Abraços !

  1. LuEs says:

    Marcelo, você comentou lá no blog que tinha postado um filme que possivelmente eu e o Renan já tínhamos visto. No entanto, por motivos diferentes, nem eu nem ele vimos.
    Eu não vi porque simplesmente não gosto de animações e faço tudo que eu consigo para evitá-las! Sempre que eu posso, eu as ignoro, finjo que não existem.
    =)

    Eu tenho uma curiosidade... como é método para medir a porcentagem de spoilers?!

  1. A pixar consegue acertar mais uma vez, e faz dessa animação uma forte concorrente nas premiações (mesmo que não achando isso certo).

    Enfim, agrada tanto a jovens quanto adultos da mesma forma, talvez aí resida o verdadeiro valor desse filme.

  1. Airton says:

    opaa
    eu nao curto muito animaçoes mas mto gente falando bem desse filme hehhe
    fica dificil nao ver vou procurar aqui na net...

    entao essa noite tem coisa nova no blog da uma chegada laa

    abraçoo

    oww como faz pra ter esse selo da sociedade de blogueiros cinefilpos curti hahah

  1. LuEs says:

    Marcelo, eu fiz uma pequena citação ao seu blog no nosso post mais recente.
    =)

  1. Oi Marcelo!

    Sua resenha sobre o filme ta tão bonita. Me fez viajar e relembrar desta linda história. Em setembro fui com meu filho ao cinema ver este filme e fiquei tão emocionada e encantada com a doçura da história que tb fiz uma pequeníssima resenha sobre ele.

    O filme é lindo, poético, simples, emocionante, cativante, enfim, de uma beleza enorme. E não o vi como um filme para crianças, mas sim para adultos. Enquanto meu filho ficou ali quietinho vendo os personagens e sentada na cadeira, chorava igual uma criança. A história mexeu comigo e me fez refletir sobre a vida.

    Lindo demais mesmo. Uma excelente escolha sua. Parabéns!

    Agora, respondendo a sua pergunta, embora Wall, seja um filme excelente, entre os dois fico com este aqui, pois me identifiquei demais com o personagem do KF e com a Ellie, que álias, vc falou muito bem sobre ela, que foi a alma do filme.

    Um abraço.

  1. Wally says:

    Já vi duas vezes e já me declaro um apaixonado. Inesperado, não? A Pixar é outra que é eterna.

    Nota 9.0